Miguel de Unamuno perguntou: a Verdade é para ser compreendida ou vivida?

Anos depois, José Ortega y Gasset respondeu: para ser compreendida com a vida.

E assim nascia a razão vital, conceito fundamental da filosofia orteguiana e que significa uma superação do dualismo realismo/idealismo. Ao invés de recorrer a um dos dois sistemas existentes para explicar a atividade cognoscente – seus limites, características e possibilidades – o autor das Meditações do Quixote criou um novo sistema filosófico; nele, todo abstracionismo dava lugar ao sentimento vital. Experiente era quem “pensava com os pés” e mundo era tudo aquilo que fazia parte da minha vida.

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Os demônios não gostam de ar fresco

Escrevo sob o impacto do documentário feito pela BBC com Ingmar Bergman – uma entrevista que o famoso cineasta concedeu em 2004, já com 88 anos, em sua casa na ilha de Fårö, Suécia. Entre reminiscências sobre seu passado familiar, sua trajetória como diretor e suas maiores influências na sétima arte, nos é dado conhecer um pouco da rotina do autor de Persona, Sonata de Outono etc. Logo no início do filme, Bergman revela começar seus dias com longas caminhadas, seguidas de horas de escrita e meditação – para só depois trabalhar, efetivamente, no seu estúdio caseiro. A primeira frase de impacto dita pelo cineasta dá título a este texto: “os demônios não gostam de ar fresco”.

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