Miguel de Unamuno perguntou: a Verdade é para ser compreendida ou vivida?

Anos depois, José Ortega y Gasset respondeu: para ser compreendida com a vida.

E assim nascia a razão vital, conceito fundamental da filosofia orteguiana e que significa uma superação do dualismo realismo/idealismo. Ao invés de recorrer a um dos dois sistemas existentes para explicar a atividade cognoscente – seus limites, características e possibilidades – o autor das Meditações do Quixote criou um novo sistema filosófico; nele, todo abstracionismo dava lugar ao sentimento vital. Experiente era quem “pensava com os pés” e mundo era tudo aquilo que fazia parte da minha vida.

Continuar lendo

Aqueles que cumulam de flores o estado bruto do mundo

Georges Simenon confessava que, terminado um novo livro, procedia à revisão a fim de excluir todas as “frases bonitas” que houvessem ficado pelo texto por descuido seu. O escritor belga fazia coro a um tipo de minimalismo formal perseguido por tantos outros autores – como Hemingway ou Bukowski -, que tem como característica justamente a “ausência de adornos”, quer dizer, escrever apenas o estritamente necessário para que a história seja contada. Os acréscimos para efeito de gozo estético ou impressão positiva do leitor não eram, deste modo, bem vistos pelo criador do personagem Maigret, nem pelas outras vozes a que se juntava na realização de uma literatura clara e sem floreios.

(mais…)