#dentrodecasa: tornar significativos os espaços de casa

A casa
O homem é um vadio à procura de casa. Nasce sem teto, desprotegido, com todas as fragilidades nuas e as fraturas expostas: é perecível, não sobrevive a frios e calores extremos, sofre as inúmeras ações do tempo e do espaço, morre por qualquer besteira microscópica que dele faça morada provisória.O homem cresce morrendo, inseguro, pouco a pouco mais perto do seu fim, num fado que todos inexoravelmente conheceremos.
Malária, resfriado, tuberculose, câncer, acidente de carro, hiv, infecção hospitalar, “o coitado tropeçou na rua e bateu a cabeça”, falta de comida, uma ferida na pele não tratada, “estava limpando o jardim quando foi picado”. Para morrer, basta estar vivo, dizemos. O homem transita, de lá para cá, tentando não cair, tentando não se contaminar, tentando sobreviver às bactéricas que o humilham, ou aos assaltantes do bairro, ou ainda à quebra da bolsa onde depositara quase tudo.

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