Miguel de Unamuno perguntou: a Verdade é para ser compreendida ou vivida?

Anos depois, José Ortega y Gasset respondeu: para ser compreendida com a vida.

E assim nascia a razão vital, conceito fundamental da filosofia orteguiana e que significa uma superação do dualismo realismo/idealismo. Ao invés de recorrer a um dos dois sistemas existentes para explicar a atividade cognoscente – seus limites, características e possibilidades – o autor das Meditações do Quixote criou um novo sistema filosófico; nele, todo abstracionismo dava lugar ao sentimento vital. Experiente era quem “pensava com os pés” e mundo era tudo aquilo que fazia parte da minha vida.

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Sexo nestes dias

A recente celeuma em torno de uma decisão judicial que permitia, aos psicólogos que assim se propusessem, o acompanhamento terapêutico de pessoas infelizes ou angustiadas com a sua homossexualidade, com vistas a uma alternativa de comportamento sexual, pouco me interessa pelo seu aspecto político: as manifestações mais ou menos histéricas e entrincheiradas ideologicamente, de todos os lados do campo dos partidos, são matéria para outras reflexões. O que a conjuntura revela – e sobre o que tenho pensado recentemente -, é o componente dramático que parece inerente à condição sexuada humana, capaz de fazer sofrer, de gerar os mais tortuosos dilemas psíquicos e existenciais, além de servir de tábua aos jogos do poder e engenharia social – coisa a que já vamos nos acostumando neste tempo de açambarcamento da vida em cada um de seus componentes, seja pelo Estado, seja pela mídia, seja por qualquer outro agente decidido a esquadrinhar o mundo pessoal.

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