Miguel de Unamuno perguntou: a Verdade é para ser compreendida ou vivida?

Anos depois, José Ortega y Gasset respondeu: para ser compreendida com a vida.

E assim nascia a razão vital, conceito fundamental da filosofia orteguiana e que significa uma superação do dualismo realismo/idealismo. Ao invés de recorrer a um dos dois sistemas existentes para explicar a atividade cognoscente – seus limites, características e possibilidades – o autor das Meditações do Quixote criou um novo sistema filosófico; nele, todo abstracionismo dava lugar ao sentimento vital. Experiente era quem “pensava com os pés” e mundo era tudo aquilo que fazia parte da minha vida.

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Como você está se sentindo?

Entre as coisas que têm me chamado a atenção na convivência com os portugueses está seu aparente descaso com o efeito sentimental das palavras. Por aqui, dizer o que deve ser dito está acima das leis gerais do sentimento ofendido: perde-se o amigo, mas não se perde a questão em jogo, a “verdade” segundo seu interlocutor. À primeira vista, isto faria do português médio um sujeito arrogante, insensível ou inapto para a vida em sociedade. Entretanto, não se trata disso: estas pessoas são sensíveis, à sua maneira, mas intransigentes com o que consideram bom, preferível, desejável, etc.

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