Miguel de Unamuno perguntou: a Verdade é para ser compreendida ou vivida?

Anos depois, José Ortega y Gasset respondeu: para ser compreendida com a vida.

E assim nascia a razão vital, conceito fundamental da filosofia orteguiana e que significa uma superação do dualismo realismo/idealismo. Ao invés de recorrer a um dos dois sistemas existentes para explicar a atividade cognoscente – seus limites, características e possibilidades – o autor das Meditações do Quixote criou um novo sistema filosófico; nele, todo abstracionismo dava lugar ao sentimento vital. Experiente era quem “pensava com os pés” e mundo era tudo aquilo que fazia parte da minha vida.

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As histórias do mundo

O leitor imagine a seguinte cena: um homem é convidado por uma mulher para jantar em sua casa. Os dois se viram duas ou três vezes antes disso. Ela é casada, mas o marido está viajando no dia. Confirmando as suas suspeitas, o visitante se vê, logo após a refeição, numa situação de flerte e prevê um bom fim de noite assim que se fecham no quarto do casal.

Entretanto, ela morre. Assim, mal haviam começado a se despir. Não dera tempo de perguntar o que se passava, de saber com mais detalhes os sintomas do seu mal-estar, nem que ajuda chamar. Aquela jovem esposa, praticamente desconhecida e potencialmente amante, falecera nos seus braços, e Victor – assim se chama o nosso protagonista – vê-se num dilema que irá lhe consumir algumas horas da madrugada até que decida o que fazer a respeito.

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