Miguel de Unamuno perguntou: a Verdade é para ser compreendida ou vivida?

Anos depois, José Ortega y Gasset respondeu: para ser compreendida com a vida.

E assim nascia a razão vital, conceito fundamental da filosofia orteguiana e que significa uma superação do dualismo realismo/idealismo. Ao invés de recorrer a um dos dois sistemas existentes para explicar a atividade cognoscente – seus limites, características e possibilidades – o autor das Meditações do Quixote criou um novo sistema filosófico; nele, todo abstracionismo dava lugar ao sentimento vital. Experiente era quem “pensava com os pés” e mundo era tudo aquilo que fazia parte da minha vida.

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Quando o Natal é tempo de angústia

O Natal se aproxima e, com ele, os delírios da nossa fraqueza: inconfessável, nutrimos no íntimo de nossas almas uma esperança de cariz revolucionário, já que agarrada por fios de angústia a uma mudança de vida que, se olhada mais de perto, deveria ter sido feita pouco a pouco durante todo o ano em que nada fizemos. As canções de costume, com seus sinos a reverberarem agudamente em nossas consciências, servem à ansiedade do tempo; caímos, semana após semana do advento, numa espiral de fuga dos próprios pensamentos acusatórios, surda aos gritos do coração que teimam – como os sinos das canções – tilintar dentro de nós.

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