Você irá morrer.

Aliás, eu também. E se isto não acontecesse a cada um de nós, homens e mulheres, seríamos outra coisa. A presença da morte – seu perigo constante – é um fato constitutivo da realidade humana. Por isto, deve ser reabsorvida como circunstância, integrada em nossas vidas como algo que nos resiste, que jamais será ultrapassada. A certeza da própria morte é condição para que possamos pensar em biografia.

Sem a antecipação de um fim nenhuma narrativa seria possível. O ponto final encerra a história e, ao mesmo tempo, dá uma forma a ela. No nosso caso, um argumento. E a partir disto podemos emitir julgamentos ou nos referirmos a alguém. “Napoleão, aquele grande general”. “Ortega y Gasset, o maior filósofo da Espanha”. “Machado, o analista de nossas baixezas”.

A pergunta que interessa é: o que eu e você queremos que seja reconhecido como nossa forma individual? Como queremos ser admitidos na eternidade? Se filosofar é pensar sobre a própria morte, a antecipação imaginária deste derradeiro encontro permite, a cada um de nós, um prelúdio da forma biográfica; uma ideia aproximada – a depender da consciência de si – de quem somos. E esta imagem da realização final deve servir como objeto de atração: o eu inclina-se em sua direção, elegendo uma trajetória que conduza ao destino pessoal.

Isto é o ideal.

Mas na concretude dos dias, nós desviamos. Esquecemos-nos de nós mesmos e da imagem íntima que deveria ser o objeto máximo de nossas intenções. Falseamos nossas trajetórias e reiteramos alguns erros históricos. Por isso, grande parte das vezes temos a sensação de “não estarmos vivendo” aquilo que deveríamos. Sentimos, em relação às nossas vidas, um desconforto: parece-nos inverossímil quem estamos sendo. Ao perceber os equívocos, mentiras e desvios, cabe a cada um refazer o caminho interiormente: descobrir onde se perdeu ou o que falta para realizar o argumento pessoal.

A iminência da morte funciona como o sinal de alerta, o som incômodo e constante de que teremos de prestar contas. Teremos uma forma biográfica feliz ou não; realizada ou não; admirável ou não. E nenhuma vida humana vale a pena ser vivida sem isto: sem o encontro da vocação íntima com a sucessão dos dias. Sem a antecipação do que eternamente seremos. E justamente pelo fato de nosso coração estar informado – desta condição imposta pela morte, da forma final biográfica – é que sentimos o descontentamento que nos leva a reconsiderar a trajetória e querer acertar.

A medicina da biografia – bioiatria, como chamou Julián Marias – tem o objetivo de ajudar aquele que está consciente do próprio descontentamento a reencontrar-se. Por meio da narrativa pessoal, da Arte e da Filosofia, promover no indivíduo o resgate pessoal daquela imagem íntima, verdadeiro objeto de amor.

Os atendimentos são meios de resgate; conversas pessoais, radicalmente falando. E só valem a pena se partirem de um desejo sincero, uma vontade de melhora e uma inclinação para o bem (raízes morais do processo).

 

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