Enquanto Napoleão Bonaparte esteve preso na Ilha de Santa Helena, um grupo de revolucionários nordestinos – especialmente de Pernambuco – planejou libertá-lo. O líder brasileiro de então, bonapartista de ocasião, era conhecido como Cabugá, e foi ele quem viajou até os Estados Unidos para tentar convencer os ianques de que salvar o grande imperador francês e levá-lo para o Brasil era um boa ideia. O plano era fazer de Napoleão o libertador do nordeste e, depois, colaborar com sua retomada do poder na França. Nem é preciso dizer que os norte-americanos riram da ideia e de quem a propunha.

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Quando foram escrever os primeiros rascunhos do Hino da República, os próceres do Golpe de 1889 fizeram uma sessão espírita a fim de escutar os compositores franceses da Marselhesa. A ideia era pedir que os mesmos músicos fossem os autores do hino brasileiro.

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Querendo receber o rei Dom João VI da melhor forma possível, os líderes cariocas, em 1808, resolveram “maquiar” a cidade do Rio de Janeiro; afinal, ela era feia, suja e fedorenta e eles desejavam passar uma primeira imagem um pouco melhor. Resolveram, então, pendurar grandes lençóis pelas ruas por onde a realeza portuguesa passaria assim que desembarcasse. Nos tecidos, pintaram colunas e templos gregos (para dar um ar, digamos, “clássico” ou cultural). Acontece que no dia da chegada choveu muito; as pinturas borraram, alguns lençóis caíram, e o remendo embelezador ficou pior do que o original.

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Hermes de Fonseca, marechal Presidente do Brasil entre 1910 e 1914, foi o responsável por introduzir o “maxixe” nas recepções palacianas. Casado com uma mulher 31 anos mais nova e cartunista (Nair de Teffé), permitiu que sua jovem esposa transformasse os eventos oficiais em celebrações menos “formais”, por assim dizer.

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Arthur Bernardes, presidente do Brasil no início da década de 20 do século passado, encontrou uma solução para os problemas com criminosos de todo tipo e opositores políticos: construiu um campo de concentração e enviou todos que podia para lá, para que trabalhassem até a morte.

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Durante a Primeira Guerra Mundial, a Tríplice Entente pediu poucas coisas à empolgada e pequena tropa brasileira. Uma delas, em 1918, foi esta: cuidar do estreito de Gilbraltar, impedindo que submarinos alemães se aproximassem e tomassem a costa. A Marinha Brasileira, liderada pelo Almirante Pedro Frontin, se encarregou do importante dever. Após confundir um bando de toninhas com um periscópio de submarino, nossos homens começaram a atirar freneticamente, matando todos aqueles pobres animais que nadavam inocentemente.

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José de Alencar conta em suas memórias que seu primeiro romance foi literalmente “fumado”. Ele havia mudado de escritório e, dispondo as folhas do original na nova prateleira – ainda necessitando de arrumação -, não imaginou que os trabalhadores, no dia seguinte, usariam cada uma das páginas de sua obra para enrolar fumo. Devem ter lido e não encontrado importância.

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Quando a exportação de açúcar para a Europa aumentou no século XVII, nossos senhores de engenho encontraram uma forma de ganhar ainda mais dinheiro, bastando para isso enganar os trouxas europeus: misturavam areia com o açúcar enviado nos sacos.

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Durante o período colonial, um menino de 13 anos que não tivesse a marca da sífilis não era digno de respeito.

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O primeiro livro de história do Brasil não foi escrito por um brasileiro.

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Dom Pedro I era realmente mulherengo (a depender do biógrafo, o número de amantes varia entre 15 e 120). A maior das bizarrices do filho de Dom João era manter, sob sua mesa de trabalho, a múmia de um de seus filhos bastardos.

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O mesmo Imperador proclamou nossa Independência sob os efeitos de uma indisposição intestinal; o grito às margens do Ipiranga é decorrente de uma “parada de emergência”, como relata o padre que acompanhava a expedição que viajava em direção a São Paulo.

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Em 2002, os brasileiros enxergaram em Luís Inácio Lula da Silva um estadista.

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Nossa primeira Constituição republicana foi escrita num cassino.

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E tantas anedotas poderiam ser relembradas aqui. Por ora, estas já revelam meu ponto.

Quando leio grande parte das coisas publicadas nesta terra de ninguém chamada internet, sempre penso nisto: não poderia ser diferente, já que estamos num país onde seriedade é confundida com antipatia. Nade de novo debaixo do Sol.

Solução para tudo isso? Sim, ela existe. E pelo estudo das biografias de Pedro II, Gilberto Freyre, Heitor Villa-Lobos, Carlos Lacerda, José Bonifácio, Machado de Assis, Padre Cícero, Cecilia Meireles, para citar apenas alguns, é possível que encontremos inspirações e modelos para fazer desta longa e anedótica história nacional algo pessoalmente sério. Pois, em verdade, apenas biográfica e individualmente será possível também a alguns da nossa geração estar acima do tempo presente.

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